sexta-feira, junho 03, 2005

A MERDA DO POPULISMO

Ora pois, aí está. Depois do que vociferou contra o aumento do IVA e contra a obsessão com o défice do anterior Governo, o PS, fazendo-nos a todos de parvos, vem explicar ao país, naquele tom drámatico e alarmista tão irritante, o que todos sabemos e ninguém quer ver: gastamos muito acima das nossas possibilidades e a situação das finanças públicas é caótica.
Posto isto, explica o Governo, é preciso fazer sacríficios. Assim, e para começo de conversa, toca a aumentar a taxa do IVA. Coisa que, ainda há poucos anos, a oposição considerava traduzir-se num forte desincentivo à procura, pelo que não permitiria sensível aumento da receita. Parece que tinha razão. Mas nada como persistir no erro. De resto, que problema pode haver para o português pobre em pagar por cada produto mais 5 % do que ele custa na vizinha Espanha? Agora é que vai ser poupar...
Outro grande sacríficio exigido aos portugueses é que continuem a trabalhar fundamentalmente para engordar o Estado. A taxa de 42% no útimo escalão do IRS já não é de um Estado Previdência. É confisco, mesmo. Se somarmos a estes os 11% de desconto obrigatórios para a Segurança Social, e se tivermos em conta que o nível de rendimentos a que se destina esta taxa se atinge, fundamentalmente, no sector privado, percebemos que andam aí alguns desgraçados a trabalhar mais de metade do seu tempo para encher os cofres do Estado.
Tudo bem, dirão. É a lógica da progressividade do imposto como forma de redistribuição da riqueza. O problema é que o Estado gasta mal. Já para não falar da minha desconfiança num Estado que tem a mania que é pai de todos, em vez de promover a igualdade de oportunidades, o desenvolvimento da economia e a criação de empregos.
A somar, o Governo quer acabar com o segredo fiscal. Quer tornar públicos os rendimentos de todos os cidadãos, as suas despesas, os impostos que pagam. Basicamente, o Estado quer promover cada um de nós a pide fiscal. O Estado quer delactores. E quer espicaçar em cada um de nós aquele sentimento tão próprio dos povos mesquinhos. Viva a inveja.
Sabem que vos digo? Aguentem. Eu não votei neles.
-FCP-